Saturday, March 25, 2006

The origins of Caipirinha???

Da “ O Xangô de Baker Street” de Jô Soares

[...] - Essa tontura é passegeira – garantiu o detective. Saraiva, que entendia de ressacas como poucos, deu a receita: - Se me permite, senhor Holmes, o melhor remédio para esta sensação matutina é uma boa cachaça. - Cachaça? Que raios de estupor é este? - É uma aguardente feita com cana-de-açucar. Uma bebida muito suave, deliciosa. Basta uma dose para o senhor se recuperar completamente. Aliás, vou acompanhá-lo. Também estou me sentindo um pouco fraco esta manhã. - Saraiva, não sei se é aconselhável dar cachaça ao snhor Holmes a esta hora – adiantou Mello Piemnta, com prudếncia. - Bobagem, meu caro Mello Pimenta. Tenho certeza de que este santo remédio deixará o nosso amigo inglếs novo em folha – assegourou o médico. Os quatro se dirigiram a um botequim na esquina da rua Riachuelo. Saraiva, com invejável expertise etílica, encomendou duas doses da melhor aguardente da casa e entournou o seu copo num gole preciso. Quando o doutor Watson viu o líquido transparente, que exalava um fortíssimo cheiro de álcool, indagou o que vinha a ser aquela bebida. - nada de mais, Watson, apenas uma aguardente feita com cana-de-açúcar. O professor Saraiva assegura que possui excelentes resultados curativos – traduziu Sherlock para o amigo. - Não sei, Holmes, pelo cheiro, parece-me algo fortíssimo. Talvez seja conveniente não bebế-la pura – aconselhou. - Que faço, então? Ponho um pouco de água? - Acho que um sumo de fruta seria melhor. Laranja ou limão. São ótimos remédios. Já conhecemos, inclusive, suas comprovadas propriedades contra o escorbuto. Sherlock virou-se para o dono do botequim: - Meu amigo aqui está sugerindo que eu coloque um poco de sumo de laranja ou limão na bebida. Por acaso o senhor tem alguma dessas frutas? - Tenho limões – respondeu, intrigado, o proprietário, sem tirar os olhos do chapéu e das sandálias nordestinas que o doutor ainda calçava. Watsom completou: - talvez também seja bom adicionar um pouco de gelo e açucar, Holmes, para compensar a queima produzida pelo álcool. Sherlock Holmes transmitiu as exigếncias do doutor. O botequineiro dirigiu-se ao fim do balcão e ordenou que seu empregado trouxesse o pedido. Watson cortou o limão em quatro e depositou dois pedaços no copo junto com o açucar. Depoi pôs-se a amassar as fatias com uma colher, enquanto dizia: - Por via das dúvidas, é melhor colocar os gomos inteiros e espremer. Quando terminou aquela operação, acrescentou uns pedaços de gelo e entregou a curiosa poção ao detective: - Pronto, Holmes, agora acho que vocế pode beber sem correr perigo. No fundo do bar, o empregado e o dono do botequim olhavam, fascinados. O jovem balconista perguntou: - Patrão, que língua eles estão falando? - Sei lá. Para mim ou é latim ou é coisa do demo. - E que mixórdia é aquela que eles estão fazendo? - Não sei, uma invenção daquele caipira ali – disse, apontando para o chapéu de vaqueiro de Watson. - Qual deles, o grandão? – perguntou o rapaz, indicando Sherlock Holmes, todo de branco. - Não, o caipira grande está só bebendo. Quem preparou foi o menorzinho, o caipirinha – respondeu o proprietário, batizando assim, para sempre, a exótica mistura.

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Ciao, Chiara! Ho letto il tuo blog! I hope you are enjoying your trip in Brazil...
Take care,
Aurélio

9:22 AM  

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